tudo aquilo que me faltava... « a vida inteira pode ser qualquer momento...


Friday, November 25, 2005
tudo aquilo que me faltava...






Sentada aqui, desde não sei quando, olho à esquerda, olho em frente, em cima olho quase tonta de não encontrar, olham também da mesa ao lado, já perguntei as horas duas vezes, não, três, o cara respondeu direito da primeira vez, da segunda me olhou oblíquo, na terceira comentou qualquer coisa com a mulher, deve ter dito coitada, levou o bolo, me d nojo, não exatamente nojo, que é uma coisa de estômago que se derrama viscosa pelos outros, atingindo tudo em torno, esverdeada, não, nem ódio, que grande demais, não cabe dentro de mim, da minha arquitetura frágil de mulher magra, as pernas fina1 suportando não sei como os ombros e o tamanho dos olhos, o ódio seria demais, eu tropeçaria toda atrapalhada com meu próprio peso, a raiva é mais mansa e eu me sinto capaz de suportá-la, a raiva cabe em mim porque não permanece, e as coisas só adentram em mim quando podem escapar em seguida, eu sufoco, sei bem, sufoco e quase esmago a coisas, as gentes também, apenas ultrapassam num, rapidez de quem não olha para trás e vai seguindo em frente, fraca demais para ser barreira, transparente, porosa feito cortina de fumaça, não, não exata mente, a fumaça ao menos faz os olhos ficarem vermelhos, provoca tosse, eu não consigo abala ninguém, um plástico, material sintético, teve pena certa, eu não quero que tenham pena de mim dói mais que tudo os outros olhando de cima, constatando a fraqueza nossa, a nossa inferioridade, quero que me olhem do mesmo plano, se ele quer comentar alguma coisa com sua companheira que diga lembra? Uma vez que eu também esperei por você assim, você não vinha, não vinha nunca, eu fumava, eu bebia, eu esperava e você não vinha, mas acabou vindo e está aqui, agora, vendo uma moça que espera como eu esperei você naquele dia...


Fotografia
[caio fernando abreu]



Posted at 01:17 am by :::bibi:::

 

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Momentos de uma garotinha ruiva... um tanto como a garotinha ruiva que representava o mais doce e ingênuo lado do amor e só existia no imaginário do charlie brown; mas também uma menina (!) de vinte e poucos anos que está sempre difusa em pensamentos emaranhados e procurando algo novo, que nunca tenha visto em ruas, milhares de vezes passadas. [quer falar comigo?]

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